quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Vícios


O corpo humano cria tolerância e depois vem a dependência.

Aquilo que chamam de vício ou dependência química.

Ninguém se vicia em alguma coisa de uma hora para outra.

O processo leva dias, meses ou anos, depende da genética da pessoa.

Ninguém fuma o primeiro cigarro na vida hoje; e amanhã está fumando três carteiras.

Ninguém toma o primeiro gole de bebida alcoólica hoje; e amanha está literalmente bebendo três garrafas de cachaça.

O processo de vício é ao longo do tempo.

A coisa resume-se em três fases: Dependência Psicológica, Tolerância e Dependência Física.

Primeiro você se vicia psicologicamente, você se apega psicologicamente à substância externa; depois vem a Tolerância porque o corpo humano é programado para tolerar qualquer substância que você ingere. Por último, vem a Dependência Física, ou seja, o corpo não vive mais sem aquela substância externa.

O que chamam atualmente de "Dependência Química" ou "Vício" é a soma desses três processos.

Vamos discorrer sobre os processos.


1 - Dependência Psicológica

Dizem que o vício é uma fuga... e realmente é.
Você começa a beber, por exemplo, umas vezes por convenção social, aprendeu com os pais, com mais velhos, etc.
Começa a beber e nem sabe o porquê.
No começo é bom porque todo vício é gostoso e por isso mesmo é vício, senão não seria vício. Não estou dizendo que toda coisa gostosa é vício, mas é uma característica do vício ser gostoso, ser bom.

Esse é o problema do vício.

Tomarei como exemplo o álcool que, segundo dizem, é o pior dos vícios... e realmente o é.

O álcool age sub-repticiamente, age nas entrelinhas.
Porém, existem diferenças entre os vícios, diferenças estas causadas pela própria substância física causadora do vício em si, o que é óbvio.
Você fuma ou bebe ou ingere (ingere é o termo geral) uma substância causadora de vício.

Substância causadora de vício é aquela substância externa ou interna que o corpo se acostuma com ela e depois cria Tolerância e depois Dependência Física.

Por exemplo, a adrenalina é uma substância naturalmente interna, mas pode-se viciar nela através de fortes emoções (causador externo).
Também pode-se viciar em adrenalina externa (ingerir produtos que tem adrenalina na sua composição). Que fique bem claro a diferença entre substância externa e interna.

Seguindo no exemplo do álcool, você começa a beber um golezinho todos os dias ou nos fins de semana e sente-se bem, isso é inegável.

O problema é justamente esse: "sente-se bem".

A partir daí um gole já não faz mais efeito, precisa-se de dois goles e depois de três goles e assim sucessivamente. Quando você percebe, depois de dias, semanas, meses, anos, você está bebendo três ou quatro garrafas de cachaça por dia, ou três garrafas de uísque, dependendo da sua condição financeira. O seu corpo começa a criar a Tolerância porque o corpo humano é programado para não morrer, então ele se adapta.

Com a maconha, cocaína, crack, heroína, etc, acontece a mesma coisa, porém, o processo é mais rápido em relação ao álcool porque são substâncias diferentes.

Torna-se necessário esclarecer o que é aquilo que o ser humano chama de "drogas".

Aquilo que o ser humano chama de "Drogas" são substâncias que não são nutrientes em si, algumas drogas até contém nutrientes, porém, não são nutrientes em si.

Você come um prato de comida e esse prato de comida causa uma reação química/física no seu corpo, mas você não chama um prato de comida de "droga" porque isso não te entorpece, isso não age diretamente no seu cérebro alterando seu entendimento da realidade.
O seu corpo identifica se é um nutriente ou não. Caso não for, ele elimina através de fezes, urina, suor ou vômito.

Tudo o que o ser humano ingere causa uma reação química/física. Não vou aqui discorrer a diferença entre reação química e física.

Você bebe um copo de água, isso causa uma reação química no seu corpo, porém, não classificamos o copo de água como uma "droga".

"Droga" é tudo aquilo que causa uma reação direta no cérebro, ou seja, tira a sua percepção da realidade, seja em curto, médio ou longo prazo.
Nós, seres humanos, classificamos as drogas devido aos seus efeitos no corpo humano.
Maconha, álcool, cigarro, cocaína, crack, heroína, ópio, etc. Cada uma tem seu ritual próprio de uso e tem seus próprios efeitos. O ritual de uso é definido pela droga em si, o que é óbvio. Maconha se fuma, cocaína se cheira, álcool se bebe e assim por diante.
Por exemplo, geralmente aquelas pessoas que gostam de tomar sua cervejinha praticamente todos os dias abominam drogas como maconha e cocaína e não consideram o álcool uma droga.
E geralmente aquelas pessoas que gostam de fumar seu baseado praticamente todos os dias abominam os alcoólatras e não consideram a maconha uma droga.

Primeiro você se vicia Psicologicamente, isso é óbvio.

Repito: ninguém toma um gole de cerveja, fuma um cigarro, etc, hoje; e amanhã está consumindo uma quantidade exagerada.

Até porque se isso acontecesse daria o efeito contrário.

Por exemplo: se você pega teu filho adolescente fumando um cigarro e o tranca num armário e diz para ele: "Você só vai sair daí quando fumar toda essa carteira de cigarro!".

Caso teu filho achar bom e começar a fumar cigarros dentro de um armário fechado, dará o efeito contrário. Ele passará mal, baterá na porta gritando que quer sair, etc.

Não estou sugerindo que é isso que se faça, mas todo vício, por agir aos poucos, a melhor forma de combater no início, algumas vezes, seria fazer consumir a substância exageradamente em pouquíssimo tempo, porém, os danos físicos dessa prática podem ser permanentes, o risco é muito grande.

Estamos discorrendo sobre Dependência Psicológica, mas as três estão entranhadas.

Muitas vezes discorre-se sobre uma e tem de se dizer das outras.

Você se apega psicologicamente à substância química.

"Psicologia" é o estudo da alma. "Psiqué".

E essa substância passa a fazer parte da sua vida.

Você acredita que tem controle sobre ela, mas não tem.

Primeiro você se apega à substância porque é bom, é confortável, muitas vezes realmente esclarece as idéias, mas esse é o problema do vício.

Permito agora dizer de Aristóteles: a Temperança!

Platão e Sócrates, anteriormente, também falavam da Temperança.

Temperança tem nada a ver com "estar em cima do muro", tem nada a ver com "ser isentão".

Temperança, neste sentido, é estar consciente de que você está se viciando.

No momento em que você diz que tem controle sobe o vício, VOCÊ NÃO TEM.

As pessoas se viciam pelos mais diversos motivos, desde o tédio da falta do que fazer até a depressão clínica, passando pelos mais diversos motivos.
Tem pessoas que são viciadas em comer, por exemplo. Outras são viciadas em masturbação. Talvez os motivos que levam a um determinado tipo de vício sejam iguais no seu início.

Em construção, ainda terminarei esse escrito, está longe do fim.

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